terça-feira, 5 de outubro de 2010

4 de Outubro de 2010 - São Cristóvão Dedica Programação a São Francisco, Patrono da Ecologia

Professor Sérgio Alex, alunos e alunas da Patrulha Ambiental do Colégio Padre Gaspar Lourenço (foto: Gladston Barroso). 

No dia dedicado a São Francisco de Assis, santo católico e também patrono da ecologia, o Professor Sérgio Alex e professores(as) parceiros(as), em conjunto com alunos(as) do Colégio Estadual Padre Gaspar Lourenço realizaram o Dia da Ecologia e de São Francisco de Assis. Com uma programação simples, mas diversificada o evento contou com 3 eventos:

Manhã: atividades extra-classe com os alunos do Colégio Gaspar Lourenço.

Tarde: Encenação teatral, abraço simbólico à Praça São Francisco, premiação do I Concurso de Fotografias "São Cristóvão, um Olhar Ecológico" e oração a São Francisco. A programação envolveu crianças da Escola Lar Imaculada Conceição, Gaspar Lourenço e mais uma escola infantil.

Encenação teatral com alunos do Gaspar Lourenço (foto: Gladston Barroso).

A programação da noite teve como tema a situação dos órgãos municipais de meio ambiente (foto: Gladston Barroso). 

Noite: Discussão sobre a situação do Conselho Municipal de Meio Ambiente, com relatos de Lício Valério Vieira, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) e Eliseu Carmelo, ex-Secretário Municipal de Meio Ambiente, cargo criado e extinto recentemente. Durante a discussão, foram abordados temas como as dificuldades para a formação e o desenvolvimento dos conselhos municipais, a necessidade de reformar locais como a Bica dos Pintos e as expectativas de melhorias a serem feitas na cidade com recursos do PAC Cidades Históricas.

Sérgio Alex e toda a equipe envolvida merecem os parabéns pelo sucesso do evento, que seguiu em frente mesmo com a objeção de algumas pessoas que teriam desestimulado a realização da iniciativa por ter sido realizada um dia após as eleições.

Como disse Sérgio Alex durante o evento, "São Francisco não pode esperar!". As crianças e parte da comunidade entenderam o recado.

Cleverton Silva

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Carta Aberta da Rejuma para os Candidatos das Eleições 2010


Após um bom tempo sem escrever, retomo as postagens no blog publicando um importante documento elaborado coletivamente entre os(as) companheiros(as) de Rejuma (saiba mais sobre a rede aqui). Acompanhei a construção da carta e agora estamos divulgando. Vale a pena ler, pois temas importantes em nível nacional estão contidas nela. O conteúdo da carta está abaixo:

Carta Aberta da Rejuma para os candidatos das eleições de 2010

Prezados candidatos e prezadas candidatas das eleições de 2010,
 

Fazemos parte da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA,
que se caracteriza como uma rede social independente, autônoma, auto-gestionada,
horizontalizada e apartidária que envolve mais de 1000 jovens dedicados a ações
socioambientais em todos os estados brasileiros. Desde a sua criação, em 2003, a
REJUMA - através de seus integrantes e dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente que
compõem a nossa rede - propõe, fomenta e acompanha políticas públicas relacionadas a
Juventude e Meio Ambiente em âmbito nacional e local, estando presente em diversas
instâncias e colegiados deliberativos e consultivos.
 
Esta carta foi construída coletivamente no intuito de tornar pública nossa opinião a
respeito do atual momento pelo qual passa nosso país. Bem como das questões que
consideramos relevantes para os futuros governantes assumirem perante o povo
brasileiro e o conjunto da sociedade brasileira reivindicar e lutar.
 

Consideramos que não só o Brasil, mas todo o Planeta Terra enfrenta uma crise
civilizatória sem precedentes. Entendemos que o atual modelo de desenvolvimento
econômico capitalista é o grande responsável por provocar esta grave crise, que se
percebe nas dimensões ambiental, social, cultural, ecológica e política. O que acarreta o
quadro de desigualdades sociais, de degradação dos ecossistemas e a violenta cultura de
massa. O papel assumido pelos Estados em todo o mundo, em especial no nosso país,
servem como retratos dessa crise.
 
Para que possamos transformar esse quadro e caminharmos rumo a um país que tenha
como pilares a justiça social, a sustentabilidade ecológica, a força da cultura popular e
tradicional e a democracia política, queremos fazer algumas considerações relacionadas
aos seguintes temas:
 
Política externa

Considerando que o ambiente que nos une é um só, é necessário reforçar nossa luta
junto aos demais países e povos latino-americanos e africanos. As fronteiras políticas ou
geográficas que nos separam devem ser superadas para que a solidariedade entre os
povos esteja em primeiro plano. Muitos países da América Latina e da África hoje se
rebelam contra as relações colonialistas mantidas sobre os países considerados de
“terceiro mundo” pelos países e grupos economicamente mais poderosos. Cabe ao
governo brasileiro e sua população pregar e defender a soberania e autodeterminação
dos países e dos povos que hoje buscam a ruptura com esse modelo de sociedade que
se mostrou injusto e insustentável nos aspectos social e ambiental.
 
Democratização dos meios de comunicação
 
Compreendemos que a comunicação social possui função central na sociedade capitalista
e sustenta tanto o pólo ideológico quanto o pólo econômico dessa sociedade. Estamos
cientes que a comunicação de massa servida pelas empresas de comunicação que
dominam o mercado de mídia impressa e audiovisual não corresponde aos atuais anseios
por informação qualificada e democrática, não serve ao interesse público e não alimenta a
capacidade de crítica e reflexão da população brasileira.
 

Os poucos grupos empresariais que mantêm a posse dos meios de comunicação
selecionam o que deve vir a público de acordo com seus interesses comerciais. Acabam,
portanto, mantendo na ordem do dia a agenda neoliberal, pautando a opinião pública
através de valores individualistas e consumistas.
 
Todos somos comunicadores por natureza e queremos exercer essa potencialidade
determinando, em cada localidade e momento, o que queremos produzir e receber de
informação. Desse modo, queremos dispor de direitos que permitam esta
democratização, por exemplo, a partir da universalização da banda larga por todos os
municípios brasileiros de forma popular e gratuita e como consta nas Leis 9.612/98 e
8.977/95 que regulam respectivamente a radiodifusão de baixa potência e a criação de
canais de comunicação comunitários, universitários, legislativos e educativo-culturais.
Para avançar na conquista destes direitos sociais e inverter o cenário midiático atual os
governantes devem criar e fazer cumprir leis que incentivem e facilitem o acesso da
população à produção de comunicação, bem como a visibilidade necessária a essas
produções. Nesse sentido, acreditamos que processos relacionados à educomunicação
são importantes de serem estimulados, pois ao unir os campos da comunicação e da
educação pode-se pressupor a emissão e recepção de informações com maior
posicionamento crítico quanto aos problemas socioambientais.
 
Para que a democratização dos meios de comunicação possa virar realidade, apontando
para as demandas dos movimentos sociais populares, acreditamos ser vital que o
planejamento e veiculação da comunicação no país possam ser compartilhados entre o
Estado e a sociedade civil. Por isso, apoiamos a criação de Conselhos de Comunicação
que regulamentem, acompanhem e fiscalizem os meios de comunicação e as
informações que são transmitidas à população, estimulando a pluralidade de expressão e
evitando o monopólio e o privilégio de certos setores, grupos e empresas.
 
Mudanças Ambientais Globais

Cada vez se tornam mais visíveis as mudanças ambientais que se processam no nível
local e global. Apesar do Planeta Terra estar sempre se transformando, é notável que
grande parte das mudanças recentemente observadas refletem o modelo produtivo
instaurado pela sociedade humana. O desmatamento e a desertificação de grandes
áreas, bem como a poluição do ar, dos solos e das águas traduzem aos nossos olhos o
padrão de acumulação e desenvolvimento adotado pelos países ricos e submetido a força
nos países periféricos. Enquanto os países e grupos com maior poder econômico buscam
o consentimento e o consenso da maior parte da população da Terra para perpetuarem o
caminho por eles traçado, vemos os recursos naturais se exaurindo e os ecossistemas se
degenerando. Não só a biodiversidade está ameaçada, como a própria população
humana. As populações mais pobres e em especial os jovens estão entre os mais
vulneráveis a todas essas mudanças, ao mesmo tempo em que possuem um papel
fundamental para a superação da crise ambiental instaurada. Por isso, nós jovens,
representantes da REJUMA, entendemos que é preciso exigir dos governos políticas
públicas que possam interromper os impactos ambientais já em processo e os que
estarão por vir. É necessário repensar o modo de organização social e econômica que
põe em risco os agrupamentos humanos. E caminhar para um novo projeto societário no
qual a sociedade humana possa se desenvolver sem desmatar ou colocar em risco outras
espécies e biomas. Para isso, o Estado brasileiro deve enfrentar frontalmente essa
problemática, fomentando a criação e a implementação de novos processos de Agenda
21 Local e institucionalizando as propostas advindas de agendas coletivas e públicas que
sejam capazes de forjar uma efetiva mudança política, econômica e cultural.
 
Políticas Nacionais de Educação Ambiental e de Meio Ambiente
 
Os governos não vêm garantindo os recursos financeiros e humanos necessários para a
continuidade e o desenvolvimento da Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA e
da Política Nacional de Meio Ambiente - PNMA. A educação ambiental passa por um
momento crítico e deve ser institucionalizada e estruturada pelo governo federal nos
Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, bem como pelos governos estaduais e
municipais em suas secretarias de educação e de meio ambiente. Reiteramos que é
papel do Estado financiar e implementar as políticas públicas de educação ambiental
contando com os movimentos sociais para seu efetivo enraizamento e eficácia. Os
educadores ambientais e as comunidades não podem ficar reféns de projetos de
educação ambiental ligados a compensação ambiental que em sua maioria servem
apenas para legitimar os danos sociais e ambientais advindos dos grandes projetos ditos
de “desenvolvimento”.
 
Os empreendimentos e os processos de licenciamento ambiental que estão sendo
desenvolvidos não tem o controle social exigido pela legislação e vem ocasionando a
marginalização de comunidades e enormes impactos ambientais. A sociedade civil e o
próprio poder público costumam ficar reféns do poderio econômico que possuem tais
projetos. Com isso, as comunidades impactadas não costumam ser ouvidas e não têm
meios de intervir nos rumos dos projetos. O desmonte do IBAMA e dos órgãos estaduais
e municipais de meio ambiente que vem sendo operado pelo governo aprofunda ainda
mais essa problemática. Repudiamos o ataque que vem sendo feito pela bancada
ruralista e pelos desenvolvimentistas ao código florestal e a legislação ambiental
brasileira. Exigimos que sejam mantidas as Reservas Legais, a soberania e a
sustentabilidade dos biomas brasileiros, livres de todas as formas de exploração
predatória.
 
Institucionalização do Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente
 
A REJUMA acredita que é necessário investir em políticas públicas de juventude e meio
ambiente com o objetivo de formar jovens lideranças no processo de transformação
socioambiental, construção de sociedades sustentáveis e desenvolvimento da cidadania
ambiental. Por isso, sabemos que é urgente a Institucionalização do Programa Nacional
de Juventude e Meio Ambiente (PNJMA) como estratégia intergeracional para
potencializar a formação, a participação e a ação das juventudes brasileiras como atores
estratégicos no enfrentamento da crise socioambiental global. O PNJMA visa fortalecer a
articulação e o diálogo entre ministérios e secretarias nacionais, com vistas a integrar
suas concepções, atividades, recursos financeiros e humanos para ações na área de
juventude e meio ambiente, estimulando e criando oportunidades de participação dos
jovens nas instâncias, programas e ações voltados às questões socioambientais. Através
de subsídios técnicos e financeiros, a institucionalização do PNJMA deve fortalecer as
políticas e ações municipais e estaduais nessa área e estimular que as redes e coletivos
pelo meio ambiente e sustentabilidade possam pautar, discutir e contribuir para o
desenvolvimento das políticas públicas relacionadas a essas temáticas.
 
O Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente deve dar conta também do desafio
de articular o campo da educação ao mundo do trabalho. A diminuição do emprego com
carteira assinada e o desemprego são fenômenos mundiais que atingem a juventude
brasileira. Entretanto, mesmo diante da dificuldade de inserção dos jovens no mercado de
trabalho, acreditamos que não basta o jovem estar empregado em qualquer emprego. Ele
deve estar bem qualificado para pleitear um trabalho bem remunerado, que lhe dê
condições de uma vida digna. Nesse sentido, reforçamos a necessidade de aumento de
recursos para a educação básica e superior, que vá ao encontro da plena formação dos
jovens brasileiros e articule essa educação às propostas e ações desenvolvidas pelas
redes de economia solidária. Propiciar a formação dos jovens para o mundo do trabalho a
partir de princípios, valores e conteúdos que contemplem a sustentabilidade
socioambiental e a democratização dos meios produtivos é essencial para que a nova
geração tenha condições de garantir trabalho numa perspectiva solidária.
 
Situação Agrária
 
Muito nos preocupa a situação agrária brasileira. Em virtude da incorporação do modelo
do agronegócio por todo território nacional, mesmo com suas terras férteis e produtivas, o
Brasil se transformou no maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Entre os tantos
malefícios trazidos pelo agronegócio para os trabalhadores e para a terra, podemos citar:
 
- o aumento do desmatamento e das queimadas;
- a poluição dos lençóis freáticos e de corpos hídricos;
- a perda da biodiversidade, da fertilidade do solo e sua desertificação;
- o uso indiscriminado de agrotóxicos, que envenena o trabalhador e os alimentos que nos
chegam à mesa;
- a freqüente ocorrência de trabalho escravo, exploração e empobrecimento do
trabalhador rural;
- a permanência dos latifúndios, das monoculturas, da concentração de terra e de renda;
- expulsão dos trabalhadores do campo e seu êxodo para as cidades;
- crescimento desordenado das cidades e favelização;
- a internacionalização das terras brasileiras, com a perda de nossa soberania territorial;
- o fortalecimento das empresas multinacionais e o aumento na venda e uso das
sementes transgênicas;
- o enfraquecimento da agricultura familiar e orgânica, com danos a soberania alimentar
dos brasileiros.
 
A REJUMA acredita que é preciso aprovar a lei que modifica a Lei de Biossegurança,
estabelecendo a obrigatoriedade de colocação de informações nos rótulos e embalagens
de alimento de modo a informar ao consumidor a natureza transgênica dos alimentos,
contribuindo para soberania alimentar do nosso país.
 
Percebemos que no início do Século XXI o Brasil retorna seu passado de país exportador
de bens de baixo valor e engana a si mesmo quando afirma que está produzindo energias
limpas e renováveis a partir da cana de açúcar e de outros biocombustíveis. Afinal, que
energia limpa ou renovável é essa produzida através de tão forte degradação ambiental
de sua terra e exploração social de sua gente?
 
Conclusão
 
Concluímos que esse sistema que explora a natureza é o mesmo que explora os seres
humanos. Degradação ambiental e exploração social são consequências de um modelo
de desenvolvimento que coloca o interesse do capital acima do interesse da vida, das
pessoas, da natureza. É responsabilidade do Estado brasileiro e dos cidadãos
comprometidos com o bem da humanidade e de todos os seres vivos lutar pela superação
desse sistema.

sábado, 28 de agosto de 2010

Laranjeiras - SE: um Belo Vídeo da "Cidade Irmã" de São Cristóvão

Hoje pela manhã recebi um e-mail com o link de um vídeo muito interessante sobre Laranjeiras, importante cidade sergipana, surgida a partir do século XVII e que atingiu o seu apogeu sociocultural e econômico no século XIX, através da cana-de-açúcar e de intelectuais e artistas como João Ribeiro, Horácio Hora e outros.

A mensagem com o link foi de um amigo meu, que conheci quando atuei como Guia de Turismo em Laranjeiras, entre 2007 e 2008. Esse amigo é Lucas Passos, servidor municipal lotado na Secretaria de Cultura e Turismo de Laranjeiras, licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e grande estudioso e admirador da histórica cidade. Clique no link abaixo para acessar o vídeo "Laranjeiras... O Curso da Vida" pelo You Tube, segue também ficha técnica.

http://www.youtube.com/watch?v=8wJ7oVsWWa0

Produção: RHPC 6 minutos original em 35mm
Ano: 1979
Cidade: Larajeiras / Sergipe
Companhia(s) produtora(s): Roland Henze Produções
Direção: Henze, Roland
Montagem: Henze, Roland


Lucas Passos tem blog com alguns textos (foto: desconhecido).

Vale a pena ver o vídeo, e mais ainda visitar a cidade. O vídeo, de 1979, impressiona com o contraste entre a realidade daquela época, com a maioria dos monumentos em estado de abandono e a expectativa com um futuro melhor, de desenvolvimento e da valorização cultural através de atividades como o turismo. Hoje, parte desse sonho laranjeirense é realidade, com grande parte de suas igrejas reconstruídas, como a do Bom Jesus, Sr. do Bomfim, Retiro, Comandaroba e o quateirão dos trapiches. A visitação não é tão massificada, mas as agências de turismo fazem pacotes e enviam os seus clientes turistas à cidade.
Quarteirão dos Trapiches, no vídeo (imagem: Roland Henze, 1979).

Quanteirão dos Trapiches, atual Campi da Cultura da UFS (foto: desconhecido).

Embora haja uma certa rivalidade entre moradores das duas cidades, pelo que sei até que saudável, que não passa de brincadeiras, influenciada por um período em que São Cristóvão era centro político, enquanto Laranjeiras era o centro econômico mais importante de Sergipe, pouco antes do surgimento de Aracaju, em 1855, reconheço e aprecio muito a cidade de Laranjeiras e as ótimas amizades que fiz no período em que passei por lá. Dedico esta postagem a estes amigos e amigas tão ligados a Laranjeiras.

Cleverton Silva

domingo, 22 de agosto de 2010

Sobre o Ato de Vandalismo Contra o Monumento a Cristo

Celebração de missa no Monumento a Cristo em novembro de 2008 (Foto: Cleverton Silva, 2008).

Poucos dias após ter a Praça São Francisco elevada ao título de Patrimônio da Humanidade, São Cristóvão recebe estarrecedora notícia sobre um bem patrimonial muito querido pela comunidade: o Monumento a Cristo foi barbaramente depredado ontem, 21 de agosto de 2010. O monumento fica no topo do morro São Gonçalo, onde alguns estudiosos acreditam que houvesse uma capela, onde os Jesuítas se dedicavam à catequese. O Monumento a Cristo foi fundado em 12 de outubro de 1926, ano em que teve a imagem de Nossa Senhora da Piedade colocada na gruta maior, que fica na base do monumento e foi danificada ontem.

O fato repercute de forma muito negativa, mas fica como uma grande lição para os cuidados com o patrimônio público, tombado ou não. Veja reportagem da TV Sergipe no link abaixo:

http://emsergipe.globo.com/mediacenter/?id=39751

No final da reportagem Aglaé Fontes, Secretária de Cultura e Turismo de São Cristóvão, disse que reivindicará a partir de segunda-feira mais rondas da Polícia Militar no local e deu a boa nova sobre possíveis reformas no local a partir de novembro. Porém, outra medida, de total responsabilidade da gestão municipal está sendo esquecida: a colocação de vigilantes. A PM, prioritariamente tem por obrigação combater atos que ameacem a segurança dos cidadãos, enquanto os cuidados com o patrimônio público tem para eles importância secundária, pois o patrimônio público deve estar sob responsabilidade de vigilantes e/ou guardas municipais, estes sim devem prioritariamente zelar por estes bens.

Devido à situação de abandono, a visitação ao local por enquanto é recomendável apenas em grupos, de forma rápida e atenta, embora a visão do centro histórico seja muito convidativa. Infelizmente, o risco de assaltos no local também existe e merece rápida e enérgica solução. A gestão municipal tem por obrigação resolver esta situação, mantendo vigilância 24 horas por dia, sempre com dois vigilantes por turno. Só aí a polícia entraria com o reforço ao fazer as rondas, dando suporte aos vigilantes, e cada um cumprindo com a sua obrigação.

Não apenas a comunidade católica se sente ofendida com este ato de ousadia e intolerância. Uma das conquistas mais importantes da sociedade brasileira é a liberdade de culto, e o respeito entre as religiões deve ser um princípio presente nos atos de cada cidadão. Algumas pessoas podem não ver a depredação de imagens de gesso com tanta gravidade quanto os católicos e a comunidade da colina, mas este é um atentado à fe católica e uma ameaça a qualquer outro culto estabelecido em nossa São Cristóvão. Que atos assim não ocorram mais!

Os patrimônios histórico, natural e cultural precisam de medidas urgentes. O vandalismo na própria Praça São Francisco vem sendo denunciado, e é praticado através da passagens de carros e motos por cima da praça, pichações e depredação dos postes. Veja uma denúncia aqui. A sociedade precisa ficar atenta, se mobilizar e exigir que o poder público (União, Governo de Sergipe e Prefeitura de São Cristóvão) e judiciário adotem medidas para sanar estes problemas. Nós, sociedade, precisamos pensar cada passo e agir em conjunto com os poderes constituídos para não apenas resolver estes problemas ligados à gestão do patrimônio e segurança pública, mas também para atacar de frente as mazelas que São Cristóvão ainda carrega neste início de século XXI.

Cleverton Silva

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Matéria de Luiz Eduardo Costa, em sua Coluna no Jornal do Dia

Jornalista Luiz Eduardo Costa, ao lado da jornalista Yara Belchior (fonte: site de Yara Belchior)
 
Desde que a Unesco declarou a Praça São Francisco Patrimônio da Humanidade, há pouco mais de uma semana, São Cristóvão ganhou destaque positivo nos veículos de comunicação nunca visto antes. Ainda não escrevi a respeito da nossa grande conquista, mas o farei em breve. Porém, dedico esta postagem a um jornalista que admiro bastante pelos seus inspirados textos sobre Sergipe, o Brasil e o mundo. Este é Luiz Eduardo Costa, que é colunista do Jornal do Dia, diário de notícias localizado na esquina da Av. Rio Branco com Rua Estância, em Aracaju.

Neste domingo, 8 de agosto, ele dedicou dois textos à Praça São Francisco, dignos de nota e de leitura. Deixo aqui os links para os leitores e leitoras:
Coluna semanal (atualizada aos domingos e segundas-feiras): http://www.jornaldodiase.com.br/viz_luiz.asp?id=33
Textos sobre a Praça São Francisco:
Primeira Noite da Praça
A Praça, a Hora Decisiva e a Sequência das Ações

Boa leitura!
Cleverton Silva

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Baggio Sedado: um Clipe de Roqueiros Apaixonados por São Cristóvão

Imagem de divulgação de documentário Baggio Sedado, exibido há uns dias na Aperipê TV (Fonte: Blog Programa de Rock).

Em minha rotineira parada para a leitura de blogs, decidi ver o do Programa de Rock, editado por Adelvan Kenobi, também apresentador do programa homônimo que vai ao ar às sextas-feiras, das 20 às 22h da noite na Aperipê FM (104,9). Neste blog, bem como na cena alternativa sergipana (e por que não nacional?), o The Baggios vem conquistando cada vez mais espaço. Componentes desta banda, Julio Andrade (guitarra e vocal) e Gabriel Carvalho (bateria) fazem questão de exporem a sua paixão por São Cristóvão em suas músicas, vídeos e perfis nas redes sociais.

Quem acompanha um pouco da carreira do The Baggios sabe que o nome da banda vem de um sancristovense que há tempos atrás vagava pela histórica cidade, conhecido como Baggio, figura que desperta curiosidade naqueles que não o conheceram pessoalmente. Infelizmente perdi esse documentário da Aperipê TV e não sei sobre o que trata o mesmo, se é sobre Baggio ou sobre The Baggios. Porém, incitado pela matéria, fui conferir o que havia no You Tube na esperança de poder ver o documentário por lá, mas dei de cara com uma música: Baggio Sedado.

Carregado o vídeo, cliquei para assistir e me impressionar com mais um grande trabalho, que alia boa música e um retrato da paisagem e do cotidiano da nossa querida cidade. No clipe, Ben Hur interpreta Baggio, enquanto Julio (violão e vocal) e Elvis Boamorte tocam a música. As imagens passam por uma das ruas próximas à antiga Fábrica São Cristóvão, a Bica dos Pintos, o Convento São Francisco, a linha do trem e o morro São Gonçalo, que tem o Monumento a Cristo em seu topo.

Baggio Sedado é mais que um simples clipe, é uma verdadeira homenagem a São Cristóvão. Confira o clipe no link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=ASJ5qh1w9TE

Cleverton Silva

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Praça São Francisco: 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial Ganha Site

Logomarca que representa os bens do Patrimônio Mundial (fonte: Google Imagens).

Com a chegada do mês de julho, São Cristóvão faz a contagem regressiva para o dia 25, quando se inicia a 34ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, pois na pauta do evento está a candidatura da Praça São Francisco ao título de Patrimônio da Humanidade. De acordo com informação da Sub-Secretaria de Estado do Patrimônio Cultural (Sub-Pac), os(as) interessados(as) em acompanhar o evento pela internet poderão contar com o site abaixo:

http://www.34whc.brasilia2010.org.br/

O Blog Por São Cristóvão, além desta postagem, está com um link direto para o site do evento. Acompanhe e ajude a divulgar!

Cleverton Silva

domingo, 4 de julho de 2010

Cooordenadora da Sub-Pac, em São Cristóvão, relata atividades em prol da Praça São Francisco

Maira Ielena, no escritório do Sub-Pac (foto: Cleverton Silva, 2010).

Desde que foi criada, em 2009, a Sub-Secretaria de Estado do Patrimônio Cultural (Sub-Pac) marca forte presença em São Cristóvão com o seu escritório, acompanhando de perto as ações do Governo de Sergipe, ao qual responde a Sub-Pac, Prefeitura de São Cristóvão e as ações da sociedade civil, muitas delas iniciativas da Comissão Pró-Candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade.

No final de junho, Maira Ielena, coordenadora do escritório do Sub-Pac em São Cristóvão, escreveu artigo para o Jornal da Cidade, apresentando aos leitores e leitoras os trabalhos desenvolvidos na cidade em prol da chancela da praça pela Unesco. Maira termina o seu texto convidando a população para apoiar a Praça São Francisco e a sua candidatura a Patrimônio da Humanidade.

Confira o artigo de Maira reproduzido no blog Cicerone de São Cristóvão, do historiador e coordenador da Comissão Pró-Candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade, Thiago Fragata.

http://thiagofragata.blogspot.com/2010/07/para-conhecer-subpac.html

Cleverton Silva

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ato Cultural Marca a Candidatura da Praça São Francisco e as Políticas Públicas Culturais em Sergipe

Grupos folclóricos também celebravam a cultura na Praça São Francisco (foto: Cleverton Silva, 2010).

A tarde chuvosa não esfriou os ânimos da equipe da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e da população, representada por sancristovenses, laranjeirenses, aracajuanos e pessoas de outros municípios. O ato cultural, mais do que um ato em favor da Praça São Francisco, candidata a Patrimônio da Humanidade junto à Unesco, foi um ato de valorização da cultura material e imaterial do povo sergipano por parte do Ministério da Cultura (MinC) e o Governo de Sergipe, através da Secult.

A programação, iniciada às 17h, foi composta pelo descerramento da placa de inauguração da nova iluminação da Praça São Francisco; do lançamento do PAC Cidades Históricas, assinado também pelos Prefeitos Alex Rocha (São Cristóvão), Edvaldo Nogueira (Aracaju) e Ione Sobral (Laranjeiras), que estiveram presentes no evento; da liberação de verbas para a criação de telecentros digitais, modernização de bibliotecas e para o Programa Mais Cultura, que visa incentivar iniciativas da sociedade civil na área cultural.

Juca Ferreira, Ministro da Cultura, chegou acompanhado de Marcelo Deda e concedeu entrevista (foto: Cleverton Silva, 2010).

A população prestigiou, muitos com a camisa da campanha (foto: Cleverton Silva, 2010).

Luis Fernando de Almeida, Presidente do Iphan, ressaltou os avanços da entidade na salvaguarda dos bens patrimoniais, ressaltando ainda que a Praça São Francisco, por ser a única no Brasil concebida de acordo com o código urbanístico espanhol e durante o período da União Ibérica (onde Portugal e Espanha se uniram sob única Coroa, a de Felipe II, de 1580 a 1598, seguindo até 1640).

Luis Fernando de Almeida, do Iphan (foto: Cleverton Silva, 2010).

Em seguida Eloísa Galdino, Secretária de Estado da Cultura, falou dos avanços na pasta e agradeceu o apoio de outros secretários como Oliveira Junior, da Casa Civil, para realizar o seu trabalho na área cultural. Logo após, o Prefeito Alex Rocha falou da grande expectativa em torno da candidatura da Praça São Francisco, mas também das limitações do município em termos de receita, e do período de "abandono" do município nos últimos 20 anos. Alex aproveitou as autoridades presentes para cobrar melhorias na Rodovia João Bebe-Água, que serve como alternativa mais rápida para chegar a Aracaju em relação à BR-101. Cobrou também a realização do Festival de Arte de São Cristóvão (Fasc), festival que aconteceu no município do final dos anos 1970 até 2005 e que atualmente é "patenteado" pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). O Reitor Josué Modesto Subrinho estava presente.

Eloísa Galdino, durante discurso (foto: Cleverton Silva, 2010).

Logo após, o Ministro Juca Ferreira, baiano, revelou que morou em Salgado por um tempo em sua infância e que já esteve antes em São Cristóvão. O Ministro se mostrou disposto a apoiar a retomada do Fasc, que ele disse ter frequentado muito, e que ficou triste em saber que não é mais realizado. Juca Ferreira propôs que, através da Fundação Nacional de Artes (Funarte) presidida pelo ator Sérgio Mamberti (o Tio Victor, do Castelo Rá-Tim-Bum), o Governo Federal atue em prol da retomada do FASC.

Min. Juca Ferreira, durante discurso (foto: Cleverton Silva, 2010).

Juca Ferreira ressaltou ainda avanços em termos de recursos no MinC, que na sua gestão atingiu a cifra dos bilhões em repasses anuais, repasses que no governo Lula deixaram de beneficiar apenas o eixo Rio/São Paulo para se expandir a todas as regiões do Brasil. Segundo o Ministro, no governo anterior, o eixo Rio/São Paulo ficava com cerca de 80% de toda a verba disponibilizada pelo Ministério da Cultura. Outro dado importante anunciado pelo Ministro é o de que quase todos os municípios brasileiros já possuem bibliotecas. O Ministro encerrou sua fala com otimismo, dizendo que a Praça São Francisco será Patrimônio da Humanidade.

Deda encerrou o discurso com o slogan da campanha da Praça São Francisco: "São Cristóvão, berço de Sergipe, Patrimônio da Humanidade" (foto: Cleverton Silva, 2010).

Encerrando a solenidade, o Governador Marcelo Deda lembrou nome de sergipanos como Manoel Bomfim e João Ribeiro, que levaram Brasil afora o conhecimento sobre a cultura sergipana, ressaltou as obras realizadas em São Cristóvão, como a duplicação de um trecho da Rod. João-Bebe-Água e as obras solicitadas pela Unesco em benefício da candidatura da Praça São Francisco e da população de São Cristóvão. Destacou ainda que Gilberto Gil, como Ministro da Cultura do Governo Lula antecedendo Juca Ferreira, quebrou um grande tabu: mostrar que um bom artista também pode ser um grande gestor público na área cultural, destacando Gilberto Gil como um dos grandes responsáveis por grandes avanços no MinC em prol da cultura nacional.

O Museu Histórico de Sergipe, com seu cinquentenário em 2010, inaugurou a sala Horácio Hora (foto: Cleverton Silva, 2010).

Cores e movimentos dão vida à Praça São Francisco (foto: Cleverton Silva, 2010).

O Cruzeiro e o Convento São Francisco, um belo Cartão Postal (foto: Cleverton Silva, 2010).

Logo após, as autoridades seguiram para a inauguração da sala de exposições Horácio Hora, do Museu Histórico de Sergipe, que contém acervo do artista laranjeirense que seguiu carreira em Paris, no século XIX. Enquanto isso, grupos folclóricos saíam em cortejo ou dançavam na Praça São Francisco, embelezando-a com belos movimentos. A Lira Sancristovense também se apresentava na praça.

Cleverton Silva

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Projeto Luminotécnico Traz Maior Beleza Cênica à Praça São Francisco

Aspecto atual da Praça São Francisco (foto: Cleverton Silva, 2010).

Na próxima terça-feira, 22 de junho, será inaugurada a iluminação subterrânea da Praça São Francisco, uma das obras que compôs a lista de exigências da UNESCO para que a praça esteja apta para se tornar Patrimônio da Humanidade. A data será marcada pelo Ato Cultural, organizado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), que terá início às 17h, na praça. O Ato Cultural contará com a presença de Juca Ferreira, Ministro de Estado da Cultura, Luiz Fernando de Almeida (Iphan) e outras autoridades estaduais e municipais, além da população.

Quem ainda não teve oportunidade de conferir o novo aspecto da Praça São Francisco, certamente ficará surpreso(a) com os resultados do trabalho da fiação subterrânea. Confira mais algumas imagens da Praça São Francisco, que no mês que vem poderá se tornar Patrimônio da Humanidade.

Em primeiro plano, um dos novos postes, com a Igreja e o Convento São Francisco ao fundo (foto: Cleverton Silva, 2010).

Rua Ivo do Prado, no mês de fevereiro. Ao fundo, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Vitória (foto: Ellen Santos, 2010).

Rua Ivo do Prado, atualmente. Ao fundo, a Igreja Matriz, em reformas (foto: Cleverton Silva, 2010).

Fotografia tirada em fevereiro, da sacada do Museu Histórico de Sergipe, do Lar Imaculada Conceição (foto: Ellen Santos, 2010).

O Lar Imaculada Conceição recebeu nova pintura e a fiação não atrapalha a vista (foto: Cleverton Silva, 2010).

Na Praça da Matriz (Getúlio Vargas), a Igreja está quase totalmente reformada (foto: Cleverton Silva, 2010).

Cleverton Silva