Clique na imagem para ampliar.
Para todos aqueles que estudam, apreciam, lutam e são apaixonados POR São Cristóvão-SE, Cidade detentora da Praça São Francisco, Patrimônio da Humanidade desde 1 de agosto de 2010.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Medalha do Mérito Aperipê para Thiago Fragata: uma Questão de Justiça
Thiago Fragata é um ilustre cidadão de São Cristóvão, aqui caricaturizado por Clécio Barroso.
Nota inicial: desde o natal não mexi uma palha deste blog por motivos pessoais. Mas sem delongas peço desculpas pela longa ausência. São Cristóvão não parou no tempo. Ela evolui e fatos ocorrem a cada dia, mas a minha presença tornou-se menos frequente.
No dia 8 de julho de 2011 (sexta-feira), dia da Sergipanidade que remete à independência de Sergipe em relação à Bahia em 1820, São Cristóvão celebrará também a entrega do diploma da UNESCO ao Governo de Sergipe que certifica a Praça São Francisco como Patrimônio da Humanidade. Esta formalidade complementa a decisão do Comitê do Patrimônio Mundial, reunido em Brasília em julho do ano passado. Na ocasião, será entregue a Medalha da Ordem do Mérito Aperipê a representantes do MinC, IPHAN, Sub-PAC e ao hoje Diretor do Museu Histórico de Sergipe, Thiago Fragata.
Dedico este texto a Thiago por ter acompanhado um pouco da sua trajetória como hábil militante cultural e estudioso da Cidade de São Cristóvão, além de ver nele uma pessoa de muita boa vontade em ajudar outros estudiosos e divulgar o que a nossa cidade tem de melhor. Eu iniciava meus estudos sobre o rio Paramopama em meados de 2005, ainda esboçando o projeto de pesquisa que resultaria na minha Monografia três anos depois, e cheguei a Thiago, então Diretor de Cultura do município, para saber as primeiras informações a respeito do meu desconhecido objeto de estudo. Fui recebido com simpatia e saí com referências de textos e ótimas informações. Com o tempo tive grandes contribuições nesta empreitada, a exemplo da ajuda do Prof. Lúcio Batista Silva.
Mas voltando a Thiago Fragata, a sua formação é de historiador pela Universidade Federal de Sergipe, lecionou por alguns anos e vem acumulando experiência na administração pública. Atualmente é diretor do Museu Histórico de Sergipe. É também militante cultural, encenando anualmente a Paixão de Cristo no papel de um ("miserável") fariseu, interpreta e escreve poemas também.
O que fez Thiago para merecer a honraria que receberá no dia 8? Foi um dos membros fundadores da Comissão Pró-Candidatura da Praça São Francisco a Patrimônio da Humanidade, organização da sociedade civil que divulgou a campanha e acreditou no valor da Praça São Francisco como um bem patrimonial de relevância mundial. Algumas pessoas mais céticas diziam que o interesse era em cargos. Mas o cargo e o reconhecimento ele conquistou de forma notável abraçando esta campanha de corpo e alma trabalhando em função da Praça São Francisco. Acompanhe algumas ações da campanha no Cicerone de São Cristóvão e no Por São Cristóvão. Eu também fiz parte das ações da comissão e com este blog.
Conceder a Medalha de Honra do Mérito Aperipê a Thiago Fragata é um importante gesto de reconhecimento e respeito à sociedade civil sergipana. Especialmente a quem nutre este sentimento de descoberta da sergipanidade. Também sinto-me contemplado por esta honraria. Parabéns, Thiago!
Cleverton Silva
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Feliz Natal!
Desejo um feliz Natal a todos e todas que leem e acessam o blog. Aproveitem bem as festas do fim de ano, pois este é um momento de reforçar laços, fazer os planos pro ano que vem e confraternizar. Para os que preferem beber até cair, fica um alerta: cuidado para não ficarem como o rapaz na foto abaixo.
Feliz Natal!
Cleverton Silva
Este rapaz não é de São Cristóvão, foi apenas uma foto engraçada que achei na internet (foto: Não Salvo)
Feliz Natal!
Cleverton Silva
sábado, 18 de dezembro de 2010
The Baggios Realizou Tributo a Raul Seixas no Capitão Cook e Mais Algumas Coisas Sobre o Rock em São Cristóvão
The Baggios animou o Capitão Cook cantando músicas de Raul Seixas (foto: Cleverton Silva, 2010).
De ontem, 17 de dezembro (dia do meu aniversário), para hoje, fui com minha querida Ellen assistir a uma grande apresentação. O The Baggios dedicou mais de 3 horas de músicas de Raul Seixas para o público presente no Capitão Cook, um bar apertadinho na Coroa do Meio, em Aracaju, mas muito aconchegante e bonito. Para os fãs de Raul, é mais difícil de lembrar as músicas que a banda deixou de tocar, pois foram várias músicas executadas. A música era contagiante e a banda mostrou toda a sua qualidade. Para conhecer melhor a banda e alguns trabalhos, clique aqui. Para saber mais sobre o projeto Toca Raul, clique neste link.
Julio dá uma pausa no vocal e convida Thiago "Tubarão", da banda Os Trouxas (foto: Cleverton Silva, 2010).
Hoje, 18 de dezembro, haverá nova apresentação do The Baggios no Parque da Sementeira, em Aracaju, onde muitos jovens costumam passar o fim de semana. São Cristóvão com certeza pode ter orgulho do The Baggios, que está fazendo bonito viajando Brasil afora.
Apesar disso, a prata da casa não é valorizada como deveria em sua própria terra, pois contam-se nos dedos as apresentações realizadas em São Cristóvão. Por este motivo, é muito necessário trazermos de volta o Festival de Arte de São Cristóvão (FASC) e valorizarmos eventos como o Radicalize, realizado três vezes no Conjunto Eduardo Gomes combinando rock e esportes radicais. Além de abrir outros espaços importantes para a cena roqueira sancristovense.
Além do The Baggios, outras bandas despontam no cenário roqueiro sancristovense em busca de oportunidades: Vértice (do amigo Bebeto), Discord (de Bruno, David e Evilânio), Paulo (talentoso baixista eduardense que toca no Máquina Blues, de Silvio Campos, da eterna Karne Krua), Adriano (baterista também eduardense que toca na Karne Krua e Words Guerrilla, fazendo o que gosta e superando um grave problema de saúde - Melhoras para você, Adriano!), Expulsos do Sistema (banda Hard Core do amigo Obersale).
Se esqueci mais alguém, desculpem pelo meu limitado conhecimento. Fiquem com mais imagens do The Baggios no Capitão Cook (fotos: Cleverton Silva):
Ellen, eu e Júlio durante o intervalo no tributo (foto: de um rapaz com camisa do Rolling Stones).
Julio tocava e...
...o público acompanhava.
As paredes do Capitão Cook formam um belo painel.
Cleverton Silva
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Campanha Praias e Rios 2010
Painel pintado próximo às margens do rio Paramopama, de autoria de Gladston Barroso em parceria com alunos do Colégio Padre Gaspar Lourenço (Foto: Cleverton Silva, 2009).
Pelo terceiro ano consecutivo, a campanha Praias e Rios também será realizada em São Cristóvão, simultaneamente a ações em Aracaju e algumas outras cidades sergipanas. O evento é influenciado pelo dia mundial de limpeza de rios e praias, realizado desde 1986 ao redor do mundo( saiba mais a respeito aqui).
A mobilização na cidade, que já era expressiva, parece atrair mais parceiros este ano. Em 2010, é necessário repetirmos esta boa ação em prol do Paramopama, com expectativa de que outras comunidades também zelem pelos recursos hídricos e pelos meios que os cercam.
A ação será realizada no domingo (28-11), a partir das 9h, nas proximidades da antiga Fábrica São Cristóvão.
Confirmo a minha presença e deixo algumas fotos de minha autoria da campanha em 2009:
Crianças ribeirinhas brincavam no Largo da Ponte.
E os voluntários limpavam o rio como podiam.
Maristela, do Oxogum Ladê, conversava com um ribeirinho que elogiava a iniciativa.
Na Mata da Pratinha, Adevanilson encontrou embalagens de produtos químicos descartados nas margens do Paramopama.
Apesar da poluição, ainda há fontes limpas, como a da bica, muito usada pela comunidade para usos domésticos e lazer.
O Paramopama revela a arte por trás da cultura pesqueira.
O resultado de uma manhã de trabalho: menos lixo no rio e o mais importante, mais pessoas sensibilizadas com a problemática da poluição (Foto: desconhecido).
Cleverton Silva
domingo, 21 de novembro de 2010
Círculo dos Ogãs: São Cristóvão Comemora o Dia da Consciência Negra Mostrando Fortes Laços com a África
Logomarca do evento.
O dia 20 de novembro de 2010 teve uma digna celebração à consciência negra. Movidos pela necessidade de melhor conhecer comunidades com raízes na cultura africana em São Cristóvão o IPHAN, o Museu Histórico de Sergipe, a Prefeitura de São Cristóvão e Governo de Sergipe realizaram o Círculo dos Ogãs: Africanidade e Resistência em São Cristóvão.
Pela manhã a programação ocorreu na Igreja N. Sra. do Rosário dos Homens Pretos, igreja erguida em meados do Século XVIII para receber os negros praticantes do catolicismo. Lá foi celebrado um ato ecumênico, e logo após um estudioso descreveu elementos de africanidade na decoração da igreja.
No auditório do Museu Histórico de Sergipe houve mesa redonda. Na imagem, Aglaé Fontes fala ao público (Foto: Cleverton Silva, 2010).
Às 14h, a programação seguiu com mesa redonda coordenada por Thiago Fragata. As pessoas convidadas para debater o tema Africanidade e Resistência: Cultura, Direitos e Cidadania foram Aglaé Fontes (Sec. Municipal de Cultura e Turismo), Martha Costa (UFS), Reginaldo Flores (Oxogum Ladê), Fausto Valoir (Promotor do MP em Aracaju), Pedro Neto (Coordenador de Políticas Públicas para a Igualdade Racial do Governo de Sergipe) e representante do IPHAN.
Das discussões vieram a público dados muito importantes. O IPHAN apresentou resultados de uma reforma de sede de terreiro em Laranjeiras, município reconhecido por fortes traços da cultura africana. Trata-se da reforma da casa de Herculano, escravo vivente no século XIX que introduziu o culto Nagô na cidade. Como primeira sede do culto Nagô na cidade, a reforma do prédio foi possível graças aos recursos do IPHAN somados aos recursos obtidos pelas lideranças do culto através de projeto. Graças a este esforço, o culto continua a acontecer no local.
Martha Costa, da UFS, expôs comunicação demonstrando os percalços na trajetória da população negra em busca de aceitação e legitimação dos costumes da população negra na sociedade. O Promotor Fausto Valois, baiano mas que vive em Sergipe abordou situações do cotidiano, disse ter orgulho da sua cor e sua origem, uma família negra, muitos atuam no meio jurídico. O Promotor disse que em Salvador, importante berço da cultura afro-brasileira, já passou por casos de discriminação, e que a sociedade precisa, cada vez mais ser igualitária e menos preconceituosa. Fausto Valois disse ainda que, assim como a Igreja Católica fica isenta de alguns tributos, os cultos de matriz africana também possuem este direito. Vale lembrar, de fato, que o Estado Brasileiro é laico, ou seja, há a liberdade de culto e religião, bem como uma não se sobrepõe à outra em direitos ou deveres.
Fausto Valois durante exposição (Foto: Cleverton Silva, 2010).
Logo após, o Professor Reginaldo Flores, falou em nome do Oxogum Ladê, organização social local que age em parceria em várias iniciativas na cidade, inclusive na campanha da candidatura da praça, e que também age em ações de preservação dos cultos afro-brasileiros e em atividades ambientalistas. Remetendo à sua ancestralidade com líderes espirituais de raiz africana, Flores disse que o Oxogum Ladê é uma forma de honrar as suas tradições. Ao final, Pedro Neto, da Coordenadoria de Políticas de Igualdade Racial do Governo de Sergipe apresentou a estrutura do setor, algumas ações já desenvolvidas e disse que a estrutura está prestes a ser ampliada para melhor atender aos anseios da população negra, o seu público-alvo.
Na Praça São Francisco, patrimônio de todos, a africanidade mostrou a sua força em São Cristóvão (Foto: Cleverton Silva, 2010).
Ao final da tarde, houve ainda o cortejo pelas ruas do Grupo Cultura da Senzala, batucando ao ritmo da música baiana. Na Praça São Francisco, foi feito o Círculo dos Ogãs, que encerrou o evento na Praça São Francisco, onde os participantes expressaram a força da sua cultura através de cantos e danças, apreciando ainda o belo luar que anunciou a noite na cidade. Houve ainda o lançamento da Exposição Arte In África, no Museu Histórico de Sergipe, que pode ser vista a partir de terça-feira (23-11).
Vejam algumas fotos abaixo:
Frontão da Igreja do Convento São Francisco (Foto: Cleverton Silva, 2010).
A Igreja, cruzeiro e nova iluminação (Foto: Cleverton Silva, 2010).
Na foto, Maria da Glória com filho nos braços e Marcelo Rangel, Secretário Adjunto de Estado da Cultura (Foto: Cleverton Silva, 2010).
Pose para a foto antes de voltar para casa (Foto: Sérgio Alex, 2010).
Cleverton Silva
domingo, 14 de novembro de 2010
Introdução do Meu Projeto de Dissertação
Há um bom tempo sem postar no blog, decidi expor o meu pré-projeto de pesquisa que estou propondo ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), que é um dos cursos de Mestrado da UFS. Nos meses de outubro e novembro, tive que dar conta de uma série de etapas do processo de seleção: inscrição, apreciação do pré-projeto, prova dissertativa sobre a questão ambiental, prova de língua estrangeira (no meu caso, o espanhol), apresentação do pré-projeto e análise do currículo Lattes.
Agora, só resta a mim e aos demais concorrentes esperar o resultado dia 16 de dezembro. Pelo que sei, disputo uma vaga com três pessoas. Abaixo, exponho o conteúdo do Pré-Projeto:
SÃO CRISTÓVÃO NO SÉCULO XXI: O DESAFIO DO ECOTURISMO NA CIDADE PATRIMÔNIO DE SERGIPE
1 INTRODUÇÃO
Este projeto tem por finalidade apresentar uma proposta de trabalho dissertativo que tenha como objetivo principal construir uma proposta de desenvolvimento do ecoturismo para a cidade de São Cristóvão, mais precisamente na parte baixa da cidade, em locais que abrangem o rio Paramopama em seu trecho urbano, onde há resquícios de mata nativa, a exemplo da Bica dos Pintos, e da Mata da Pratinha, bem como na sua região estuarina, já próxima ao encontro do Paramopama com o rio principal, o Vaza-Barris.
Por meio da pesquisa aplicada, auxiliada por instrumentos e técnicas como a aplicação de questionários, para abordar a população, e a consulta a documentos que facilitem a identificação e análise de políticas públicas existentes ou em desenvolvimento, busca-se propor um roteiro ecoturístico para a cidade de São Cristóvão, capazes de dinamizarem e fortalecerem a atividade turística local, levando à comunidade benefícios socioambientais e econômicos.
São Cristóvão, município sergipano da Grande Aracaju, recentemente teve a Praça São Francisco elevada à categoria de Patrimônio da Humanidade. A chancela, concedida pela Organização das Nações Unidas Pela Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1 de agosto de 2010, foi um dos acontecimentos mais importantes para a história da cidade e do Estado de Sergipe, que celebra a conquista de sua antiga Capital em ter reconhecimento e visibilidade internacional.
Turisticamente, a cidade já desenvolve o turismo cultural de forma concentrada na parte alta da cidade, que foi baseada nos moldes das acrópoles europeias. Porém, melhorias se fazem necessárias para a superação de alguns problemas em infraestrutura e em alguns serviços da oferta turística local. Outro ponto essencial para o fortalecimento do turismo é a inclusão da parte baixa da cidade, vocacionada para o ecoturismo, na oferta local. O potencial já existe, mas é necessário investir e voltar as atenções também a uma alternativa ecoturística que se some e fortaleça a cadeia turística local.
2 OBJETIVOS
2.1 Geral
Construir uma proposta de desenvolvimento do ecoturismo para a cidade de São Cristóvão que aproveite o potencial da região da sede municipal, que valorize o roteiro já existente e contribua para a adoção das políticas públicas de turismo no município, em benefício das comunidades e da ampliação da oferta turística local.
2.2 Específicos
- Analisar a atividade turística na sede do município de São Cristóvão levando em consideração a chancela da Praça São Francisco ao título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.
- Estudar os atrativos turísticos naturais da cidade e identificar atividades possíveis de serem realizados nestes espaços, considerando bens e serviços disponíveis na comunidade.
- Mapear as principais propostas de políticas públicas de turismo para São Cristóvão.
- Propor um roteiro ecoturístico para a cidade de São Cristóvão que valorize e amplie a oferta turística local e leve em conta a premissa do desenvolvimento sustentável.
3 JUSTIFICATIVA
Com mais de quatro séculos de história, São Cristóvão acumula um legado cultural muito importante para a identidade cultural do povo sergipano. Com o seu patrimônio material e imaterial, composto pelos seus museus, igrejas, casarios, sua gente e costumes, a cidade demonstra a capacidade humana de transformar o meio onde vive. Por sua vez, o meio natural, impactado e disputado, apresenta-se na antiga capital sergipana de forma exuberante com os seus rios, ilhas fluviais e resquícios de mata atlântica.
Por tais fatores, São Cristóvão já é um destino turístico de grande importância para Sergipe. Embora o turismo já faça parte da economia municipal, o potencial turístico da cidade ainda não é devidamente aproveitado, pois embora haja possibilidades para a prática do ecoturismo, a cidade ainda não conta com esta atividade em sua oferta turística.
Estudo anterior de Silva (2008) confirma o rio Paramopama como um bem natural passível de prática ecoturística integrada ao roteiro cultural praticado na parte alta da cidade. Aproveitar o potencial do rio Paramopama é desenvolver plenamente a atividade turística na região da sede municipal, incluindo a parte baixa da cidade como parte integrante da oferta local, levando uma proposta de desenvolvimento turístico para além dos limites do Monte Una, elevação onde se concentram os atrativos turísticos mais visitados.
Diante da recente chancela da Praça São Francisco ao título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, São Cristóvão ganhou visibilidade internacional e tem como um de seus grandes desafios superar os seus problemas estruturais e mazelas sociais que assolam a população. A cidade que cerca de um século atrás descobriu na industrialização a sua alternativa econômica para reverter o quadro de decadência desde que deixou de ser capital em 1855 (SILVA, 2002), nutre neste início de século XXI a esperança de encontrar no turismo a sua alternativa.
Por estes motivos, propor o desenvolvimento ecoturístico para São Cristóvão é relevante, pois com base em dados técnicos e pesquisas de campo será possível analisar a atual situação da atividade turística na cidade e apontar alternativas para que o ecoturismo colabore para a oferta turística local, tendo o desenvolvimento sustentável como um dos seus princípios mais relevantes.
4 REFERENCIAL TEÓRICO
4.1 Localização do Objeto de Estudo
São Cristóvão é um dos 75 municípios do Estado de Sergipe e fica a 25 km da Capital, Aracaju. Capital de Sergipe até 1855, São Cristóvão contava em 2000 com uma população estimada em 75.104 habitantes (IBGE, 2010).
Dentro da divisão territorial de Sergipe, São Cristóvão integra o território Grande Aracaju, equivale a 2% do território sergipano e a 20% do território Grande Aracaju, unidade de planejamento que engloba os municípios de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Itaporanga D’Ajuda, Laranjeiras, Maruim, Nossa Senhora do Socorro, Riachuelo, Santo Amaro das Brotas e São Cristóvão (SEPLAN, 2008).
4.2 O Ecoturismo como Alternativa de Desenvolvimento Turístico para São Cristóvão
São Cristóvão tem o rio Paramopama como um dos seus maiores patrimônios naturais. O rio, com 18 km de extensão da nascente à foz, percorre apenas o município, desaguando no Vasa-Barris, rio principal da bacia hidrográfica homônima.
No Paramopama, pode-se praticar o ecoturismo por meio de trilhas em seus resquícios de mata preservada, contemplação e lazer em alguns locais da área urbana, por onde passa o rio, a exemplo do Terminal Turístico Ecológico, também conhecido como “Catamarã”, e a navegação em canoas pelo estuário do rio, com suas ilhas fluviais, mangues e croas.
São Cristóvão é tradicionalmente um destino voltado ao turismo histórico e cultural, dispondo de um modelo de urbanização europeu acropolitano, ou seja, concentra na parte alta os exemplares da arquitetura civil e religiosa hoje preservadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), enquanto na parte baixa estão as atividades comerciais, a atividade portuária fortemente influenciada pela pesca e as moradias, em maior parte da população pobre (SILVA, 2008).
Desde 1 de agosto de 2010, a Praça São Francisco, uma das principais praças da parte alta da cidade, passou a ser um dos bens do patrimônio mundial por meio da chancela da UNESCO. Para a obtenção deste título, poder público e sociedade civil uniram forças desde 2007, ocasião da visita do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS), órgão vinculado à UNESCO que fez o reconhecimento da cidade e fez exigências para a obtenção do título (SILVA FILHO, 2009).
São Cristóvão, concorrendo ao pleito, foi beneficiado com a elaboração do seu Plano Diretor, ganhou fiação subterrânea e iluminação especial na Praça São Francisco, reforma de prédios e obras de esgotamento sanitário na sede. Como detentora de um bem que agora é patrimônio da humanidade, a cidade agora deve arcar com maiores responsabilidades.
No que tange às políticas públicas voltadas ao patrimônio histórico e cultural em São Cristóvão, as que registram maior avanço estão sob responsabilidade da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, Tecnologia e do Turismo (SEDETEC), Secretaria de Estado da Cultura (SECULT) e da Sub-Secretaria de Estado do Patrimônio Cultural (Sub-Pac), diretamente vinculada à Secretaria de Estado da Casa Civil.A SECULT e a SEDETEC representam o Governo de Sergipe e desenvolvem alguns trabalhos de forma integrada com a sociedade civil e a Prefeitura de São Cristóvão. Os resultados desta articulação se expressam no Plano de Desenvolvimento do Arranjo Produtivo Local de Cultura de São Cristóvão, apresentado no dia 24 de setembro de 2010, elaborado a partir de oficinas realizadas na cidade (JORNAL DO DIA, 2010).
Embora os trabalhos da SECULT e SEDETEC em São Cristóvão visem a dinamizar a atividade turística no município, reforçando os trabalhos já desenvolvidos pela Empresa Sergipana de Turismo (EMSETUR), o foco destas políticas está voltado principalmente à modalidade turística já consolidada na cidade: a do turismo cultural.
Assim, as políticas públicas de turismo deixam à margem o potencial ecoturístico na região da sede do município, fazendo com que o desenvolvimento turístico fique restrito apenas à parte alta da cidade. A parte baixa da cidade, historicamente conhecida pela sua função comercial e por receber as moradias das famílias menos abastadas, possui atrativos que atestam o forte potencial ecoturístico, a exemplo da Bica dos Pintos, Mata da Pratinha e estuário do rio Paramopama (SILVA, 2008).
O ecoturismo é oficialmente entendido como
... um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas (MMA et al., 1994, p. 5).
Porém, Pires (2002) identificou entendimentos diferentes sobre o ecoturismo em sete grupos distintos: o Trade, governos e órgãos oficiais de turismo, Ongs, turistas, comunidades residentes em destinos turísticos, acadêmicos e comunicadores especializados no setor. Ou seja, o ecoturismo é uma atividade difícil de definir, mas os seus princípios podem ser entendidos de forma clara:
- a ênfase na natureza, na história cultural e nas culturas autóctones...
- a preocupação com os impactos socioambientais da atividade nos destinos e com a sustentabilidade nos recursos utilizados;
- a prioridade à geração de benefícios... para as comunidades locais e a preocupação com o seu bem-estar;
- o empenho e engajamento nas ações de desenvolvimento conservacionista junto aos destinos;
- a opção pelo desfrute saudável e pela compreensão dos ambientes visitados via educação ambiental (PIRES, 2002, p. 149-150).
Assim, os recursos naturais existentes, somados aos princípios que fazem do ecoturismo uma boa alternativa para os locais de potencial natural, neste caso os atrativos do entorno da histórica São Cristóvão.
5 METODOLOGIA
O desenvolvimento do trabalho aqui proposto se dará através do método da pesquisa aplicada, que visa a gerar “conhecimentos úteis à solução de problemas sociais” (BOAVENTURA, 2004, p. 56), já que está evidenciada nesta proposta de trabalho a necessidade de se desenvolver o ecoturismo na cidade de São Cristóvão, aproveitando seu pleno potencial natural, a necessidade de diversificar a oferta turística local e induzir o desenvolvimento turístico na parte baixa da cidade.
Para acompanhar as políticas públicas já desenvolvidas ou em desenvolvimento para a atividade turística na cidade, será feita a pesquisa documental, buscando-se acesso a documentos, relatórios e outros materiais que forneçam dados relevantes para o êxito da pesquisa neste aspecto.
Para a abordagem à população, necessária para a compreensão do contexto social que envolve a situação atual e as expectativas futuras em relação à atividade turística na cidade de São Cristóvão, será necessário lançar mão da aplicação de questionários, instrumentos que possibilitarão uma analise tanto qualitativa quanto quantitativa da situação da realidade a ser estudada.
Cumpridos estes procedimentos metodológicos, a Dissertação será finalizada e defendida.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOAVENTURA, Edivaldo. Metodologia da pesquisa: monografia, dissertação, tese. São Paulo: Atlas, 2004.
IBGE. São Cristóvão – SE. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=280670#, acesso em: 5-10-2010, às 15:45.
JORNAL DO DIA. Encontro discute medidas para estimular potencial turístico de São Cristóvão. Disponível em: http://www.jornaldodiase.com.br/viz_conteudo.asp?codigo=259201016473355045, acesso em: 4-10-2010, às 10:51.
MMA et al. Diretrizes para uma política nacional: ecoturismo. Brasília: MMA/MICT, 1994 – CD-ROM.
PIRES, Paulo dos S. Dimensões do ecoturismo. São Paulo: SENAC, 2002.
SEPLAN. Plano de desenvolvimento do território: Grande Aracaju. Aracaju: Seplan, 2008.
SILVA, Cleverton C. Águas fluviais e o ecoturismo em Sergipe: possibilidades no rio Paramopama, em São Cristóvão. 125 p. (Monografia) CEFET-SE/CTH, 2008.
SILVA, José L. O surgimento da indústria e do operário têxtil em São Cristóvão: (1912-1935). (Monografia) Universidade Federal de Sergipe, 2002.
SILVA FILHO, José T. Relatório de atividades: fevereiro de 2008 a julho de 2009. Disponível em: http://thiagofragata.blogspot.com/2009/07/durante-festa-da-emancipacao-politica.html, acesso em 1-10-2010, às 14:24.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
4 de Outubro de 2010 - São Cristóvão Dedica Programação a São Francisco, Patrono da Ecologia
Professor Sérgio Alex, alunos e alunas da Patrulha Ambiental do Colégio Padre Gaspar Lourenço (foto: Gladston Barroso).
No dia dedicado a São Francisco de Assis, santo católico e também patrono da ecologia, o Professor Sérgio Alex e professores(as) parceiros(as), em conjunto com alunos(as) do Colégio Estadual Padre Gaspar Lourenço realizaram o Dia da Ecologia e de São Francisco de Assis. Com uma programação simples, mas diversificada o evento contou com 3 eventos:
Manhã: atividades extra-classe com os alunos do Colégio Gaspar Lourenço.
Tarde: Encenação teatral, abraço simbólico à Praça São Francisco, premiação do I Concurso de Fotografias "São Cristóvão, um Olhar Ecológico" e oração a São Francisco. A programação envolveu crianças da Escola Lar Imaculada Conceição, Gaspar Lourenço e mais uma escola infantil.
Encenação teatral com alunos do Gaspar Lourenço (foto: Gladston Barroso).
A programação da noite teve como tema a situação dos órgãos municipais de meio ambiente (foto: Gladston Barroso).
Noite: Discussão sobre a situação do Conselho Municipal de Meio Ambiente, com relatos de Lício Valério Vieira, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) e Eliseu Carmelo, ex-Secretário Municipal de Meio Ambiente, cargo criado e extinto recentemente. Durante a discussão, foram abordados temas como as dificuldades para a formação e o desenvolvimento dos conselhos municipais, a necessidade de reformar locais como a Bica dos Pintos e as expectativas de melhorias a serem feitas na cidade com recursos do PAC Cidades Históricas.
Sérgio Alex e toda a equipe envolvida merecem os parabéns pelo sucesso do evento, que seguiu em frente mesmo com a objeção de algumas pessoas que teriam desestimulado a realização da iniciativa por ter sido realizada um dia após as eleições.
Como disse Sérgio Alex durante o evento, "São Francisco não pode esperar!". As crianças e parte da comunidade entenderam o recado.
Cleverton Silva
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Carta Aberta da Rejuma para os Candidatos das Eleições 2010
Após um bom tempo sem escrever, retomo as postagens no blog publicando um importante documento elaborado coletivamente entre os(as) companheiros(as) de Rejuma (saiba mais sobre a rede aqui). Acompanhei a construção da carta e agora estamos divulgando. Vale a pena ler, pois temas importantes em nível nacional estão contidas nela. O conteúdo da carta está abaixo:
Carta Aberta da Rejuma para os candidatos das eleições de 2010
Prezados candidatos e prezadas candidatas das eleições de 2010,
Fazemos parte da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA,
que se caracteriza como uma rede social independente, autônoma, auto-gestionada,
horizontalizada e apartidária que envolve mais de 1000 jovens dedicados a ações
socioambientais em todos os estados brasileiros. Desde a sua criação, em 2003, a
REJUMA - através de seus integrantes e dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente que
compõem a nossa rede - propõe, fomenta e acompanha políticas públicas relacionadas a
Juventude e Meio Ambiente em âmbito nacional e local, estando presente em diversas
instâncias e colegiados deliberativos e consultivos.
Esta carta foi construída coletivamente no intuito de tornar pública nossa opinião a
respeito do atual momento pelo qual passa nosso país. Bem como das questões que
consideramos relevantes para os futuros governantes assumirem perante o povo
brasileiro e o conjunto da sociedade brasileira reivindicar e lutar.
Consideramos que não só o Brasil, mas todo o Planeta Terra enfrenta uma crise
civilizatória sem precedentes. Entendemos que o atual modelo de desenvolvimento
econômico capitalista é o grande responsável por provocar esta grave crise, que se
percebe nas dimensões ambiental, social, cultural, ecológica e política. O que acarreta o
quadro de desigualdades sociais, de degradação dos ecossistemas e a violenta cultura de
massa. O papel assumido pelos Estados em todo o mundo, em especial no nosso país,
servem como retratos dessa crise.
respeito do atual momento pelo qual passa nosso país. Bem como das questões que
consideramos relevantes para os futuros governantes assumirem perante o povo
brasileiro e o conjunto da sociedade brasileira reivindicar e lutar.
Consideramos que não só o Brasil, mas todo o Planeta Terra enfrenta uma crise
civilizatória sem precedentes. Entendemos que o atual modelo de desenvolvimento
econômico capitalista é o grande responsável por provocar esta grave crise, que se
percebe nas dimensões ambiental, social, cultural, ecológica e política. O que acarreta o
quadro de desigualdades sociais, de degradação dos ecossistemas e a violenta cultura de
massa. O papel assumido pelos Estados em todo o mundo, em especial no nosso país,
servem como retratos dessa crise.
Para que possamos transformar esse quadro e caminharmos rumo a um país que tenha
como pilares a justiça social, a sustentabilidade ecológica, a força da cultura popular e
tradicional e a democracia política, queremos fazer algumas considerações relacionadas
aos seguintes temas:
como pilares a justiça social, a sustentabilidade ecológica, a força da cultura popular e
tradicional e a democracia política, queremos fazer algumas considerações relacionadas
aos seguintes temas:
Política externa
Considerando que o ambiente que nos une é um só, é necessário reforçar nossa luta
junto aos demais países e povos latino-americanos e africanos. As fronteiras políticas ou
geográficas que nos separam devem ser superadas para que a solidariedade entre os
povos esteja em primeiro plano. Muitos países da América Latina e da África hoje se
rebelam contra as relações colonialistas mantidas sobre os países considerados de
“terceiro mundo” pelos países e grupos economicamente mais poderosos. Cabe ao
governo brasileiro e sua população pregar e defender a soberania e autodeterminação
dos países e dos povos que hoje buscam a ruptura com esse modelo de sociedade que
se mostrou injusto e insustentável nos aspectos social e ambiental.
Democratização dos meios de comunicação
Compreendemos que a comunicação social possui função central na sociedade capitalista
e sustenta tanto o pólo ideológico quanto o pólo econômico dessa sociedade. Estamos
cientes que a comunicação de massa servida pelas empresas de comunicação que
dominam o mercado de mídia impressa e audiovisual não corresponde aos atuais anseios
por informação qualificada e democrática, não serve ao interesse público e não alimenta a
capacidade de crítica e reflexão da população brasileira.
Os poucos grupos empresariais que mantêm a posse dos meios de comunicação
selecionam o que deve vir a público de acordo com seus interesses comerciais. Acabam,
portanto, mantendo na ordem do dia a agenda neoliberal, pautando a opinião pública
através de valores individualistas e consumistas.
e sustenta tanto o pólo ideológico quanto o pólo econômico dessa sociedade. Estamos
cientes que a comunicação de massa servida pelas empresas de comunicação que
dominam o mercado de mídia impressa e audiovisual não corresponde aos atuais anseios
por informação qualificada e democrática, não serve ao interesse público e não alimenta a
capacidade de crítica e reflexão da população brasileira.
Os poucos grupos empresariais que mantêm a posse dos meios de comunicação
selecionam o que deve vir a público de acordo com seus interesses comerciais. Acabam,
portanto, mantendo na ordem do dia a agenda neoliberal, pautando a opinião pública
através de valores individualistas e consumistas.
Todos somos comunicadores por natureza e queremos exercer essa potencialidade
determinando, em cada localidade e momento, o que queremos produzir e receber de
informação. Desse modo, queremos dispor de direitos que permitam esta
democratização, por exemplo, a partir da universalização da banda larga por todos os
municípios brasileiros de forma popular e gratuita e como consta nas Leis 9.612/98 e
8.977/95 que regulam respectivamente a radiodifusão de baixa potência e a criação de
canais de comunicação comunitários, universitários, legislativos e educativo-culturais.
Para avançar na conquista destes direitos sociais e inverter o cenário midiático atual os
governantes devem criar e fazer cumprir leis que incentivem e facilitem o acesso da
população à produção de comunicação, bem como a visibilidade necessária a essas
produções. Nesse sentido, acreditamos que processos relacionados à educomunicação
são importantes de serem estimulados, pois ao unir os campos da comunicação e da
educação pode-se pressupor a emissão e recepção de informações com maior
posicionamento crítico quanto aos problemas socioambientais.
determinando, em cada localidade e momento, o que queremos produzir e receber de
informação. Desse modo, queremos dispor de direitos que permitam esta
democratização, por exemplo, a partir da universalização da banda larga por todos os
municípios brasileiros de forma popular e gratuita e como consta nas Leis 9.612/98 e
8.977/95 que regulam respectivamente a radiodifusão de baixa potência e a criação de
canais de comunicação comunitários, universitários, legislativos e educativo-culturais.
Para avançar na conquista destes direitos sociais e inverter o cenário midiático atual os
governantes devem criar e fazer cumprir leis que incentivem e facilitem o acesso da
população à produção de comunicação, bem como a visibilidade necessária a essas
produções. Nesse sentido, acreditamos que processos relacionados à educomunicação
são importantes de serem estimulados, pois ao unir os campos da comunicação e da
educação pode-se pressupor a emissão e recepção de informações com maior
posicionamento crítico quanto aos problemas socioambientais.
Para que a democratização dos meios de comunicação possa virar realidade, apontando
para as demandas dos movimentos sociais populares, acreditamos ser vital que o
planejamento e veiculação da comunicação no país possam ser compartilhados entre o
Estado e a sociedade civil. Por isso, apoiamos a criação de Conselhos de Comunicação
que regulamentem, acompanhem e fiscalizem os meios de comunicação e as
informações que são transmitidas à população, estimulando a pluralidade de expressão e
evitando o monopólio e o privilégio de certos setores, grupos e empresas.
para as demandas dos movimentos sociais populares, acreditamos ser vital que o
planejamento e veiculação da comunicação no país possam ser compartilhados entre o
Estado e a sociedade civil. Por isso, apoiamos a criação de Conselhos de Comunicação
que regulamentem, acompanhem e fiscalizem os meios de comunicação e as
informações que são transmitidas à população, estimulando a pluralidade de expressão e
evitando o monopólio e o privilégio de certos setores, grupos e empresas.
Mudanças Ambientais Globais
Cada vez se tornam mais visíveis as mudanças ambientais que se processam no nível
local e global. Apesar do Planeta Terra estar sempre se transformando, é notável que
grande parte das mudanças recentemente observadas refletem o modelo produtivo
instaurado pela sociedade humana. O desmatamento e a desertificação de grandes
áreas, bem como a poluição do ar, dos solos e das águas traduzem aos nossos olhos o
padrão de acumulação e desenvolvimento adotado pelos países ricos e submetido a força
nos países periféricos. Enquanto os países e grupos com maior poder econômico buscam
o consentimento e o consenso da maior parte da população da Terra para perpetuarem o
caminho por eles traçado, vemos os recursos naturais se exaurindo e os ecossistemas se
degenerando. Não só a biodiversidade está ameaçada, como a própria população
humana. As populações mais pobres e em especial os jovens estão entre os mais
vulneráveis a todas essas mudanças, ao mesmo tempo em que possuem um papel
fundamental para a superação da crise ambiental instaurada. Por isso, nós jovens,
representantes da REJUMA, entendemos que é preciso exigir dos governos políticas
públicas que possam interromper os impactos ambientais já em processo e os que
estarão por vir. É necessário repensar o modo de organização social e econômica que
põe em risco os agrupamentos humanos. E caminhar para um novo projeto societário no
qual a sociedade humana possa se desenvolver sem desmatar ou colocar em risco outras
espécies e biomas. Para isso, o Estado brasileiro deve enfrentar frontalmente essa
problemática, fomentando a criação e a implementação de novos processos de Agenda
21 Local e institucionalizando as propostas advindas de agendas coletivas e públicas que
sejam capazes de forjar uma efetiva mudança política, econômica e cultural.
Políticas Nacionais de Educação Ambiental e de Meio Ambiente
Os governos não vêm garantindo os recursos financeiros e humanos necessários para a
continuidade e o desenvolvimento da Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA e
da Política Nacional de Meio Ambiente - PNMA. A educação ambiental passa por um
momento crítico e deve ser institucionalizada e estruturada pelo governo federal nos
Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, bem como pelos governos estaduais e
municipais em suas secretarias de educação e de meio ambiente. Reiteramos que é
papel do Estado financiar e implementar as políticas públicas de educação ambiental
contando com os movimentos sociais para seu efetivo enraizamento e eficácia. Os
educadores ambientais e as comunidades não podem ficar reféns de projetos de
educação ambiental ligados a compensação ambiental que em sua maioria servem
apenas para legitimar os danos sociais e ambientais advindos dos grandes projetos ditos
de “desenvolvimento”.
continuidade e o desenvolvimento da Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA e
da Política Nacional de Meio Ambiente - PNMA. A educação ambiental passa por um
momento crítico e deve ser institucionalizada e estruturada pelo governo federal nos
Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, bem como pelos governos estaduais e
municipais em suas secretarias de educação e de meio ambiente. Reiteramos que é
papel do Estado financiar e implementar as políticas públicas de educação ambiental
contando com os movimentos sociais para seu efetivo enraizamento e eficácia. Os
educadores ambientais e as comunidades não podem ficar reféns de projetos de
educação ambiental ligados a compensação ambiental que em sua maioria servem
apenas para legitimar os danos sociais e ambientais advindos dos grandes projetos ditos
de “desenvolvimento”.
Os empreendimentos e os processos de licenciamento ambiental que estão sendo
desenvolvidos não tem o controle social exigido pela legislação e vem ocasionando a
marginalização de comunidades e enormes impactos ambientais. A sociedade civil e o
próprio poder público costumam ficar reféns do poderio econômico que possuem tais
projetos. Com isso, as comunidades impactadas não costumam ser ouvidas e não têm
meios de intervir nos rumos dos projetos. O desmonte do IBAMA e dos órgãos estaduais
e municipais de meio ambiente que vem sendo operado pelo governo aprofunda ainda
mais essa problemática. Repudiamos o ataque que vem sendo feito pela bancada
ruralista e pelos desenvolvimentistas ao código florestal e a legislação ambiental
brasileira. Exigimos que sejam mantidas as Reservas Legais, a soberania e a
sustentabilidade dos biomas brasileiros, livres de todas as formas de exploração
predatória.
desenvolvidos não tem o controle social exigido pela legislação e vem ocasionando a
marginalização de comunidades e enormes impactos ambientais. A sociedade civil e o
próprio poder público costumam ficar reféns do poderio econômico que possuem tais
projetos. Com isso, as comunidades impactadas não costumam ser ouvidas e não têm
meios de intervir nos rumos dos projetos. O desmonte do IBAMA e dos órgãos estaduais
e municipais de meio ambiente que vem sendo operado pelo governo aprofunda ainda
mais essa problemática. Repudiamos o ataque que vem sendo feito pela bancada
ruralista e pelos desenvolvimentistas ao código florestal e a legislação ambiental
brasileira. Exigimos que sejam mantidas as Reservas Legais, a soberania e a
sustentabilidade dos biomas brasileiros, livres de todas as formas de exploração
predatória.
Institucionalização do Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente
A REJUMA acredita que é necessário investir em políticas públicas de juventude e meio
ambiente com o objetivo de formar jovens lideranças no processo de transformação
socioambiental, construção de sociedades sustentáveis e desenvolvimento da cidadania
ambiental. Por isso, sabemos que é urgente a Institucionalização do Programa Nacional
de Juventude e Meio Ambiente (PNJMA) como estratégia intergeracional para
potencializar a formação, a participação e a ação das juventudes brasileiras como atores
estratégicos no enfrentamento da crise socioambiental global. O PNJMA visa fortalecer a
articulação e o diálogo entre ministérios e secretarias nacionais, com vistas a integrar
suas concepções, atividades, recursos financeiros e humanos para ações na área de
juventude e meio ambiente, estimulando e criando oportunidades de participação dos
jovens nas instâncias, programas e ações voltados às questões socioambientais. Através
de subsídios técnicos e financeiros, a institucionalização do PNJMA deve fortalecer as
políticas e ações municipais e estaduais nessa área e estimular que as redes e coletivos
pelo meio ambiente e sustentabilidade possam pautar, discutir e contribuir para o
desenvolvimento das políticas públicas relacionadas a essas temáticas.
ambiente com o objetivo de formar jovens lideranças no processo de transformação
socioambiental, construção de sociedades sustentáveis e desenvolvimento da cidadania
ambiental. Por isso, sabemos que é urgente a Institucionalização do Programa Nacional
de Juventude e Meio Ambiente (PNJMA) como estratégia intergeracional para
potencializar a formação, a participação e a ação das juventudes brasileiras como atores
estratégicos no enfrentamento da crise socioambiental global. O PNJMA visa fortalecer a
articulação e o diálogo entre ministérios e secretarias nacionais, com vistas a integrar
suas concepções, atividades, recursos financeiros e humanos para ações na área de
juventude e meio ambiente, estimulando e criando oportunidades de participação dos
jovens nas instâncias, programas e ações voltados às questões socioambientais. Através
de subsídios técnicos e financeiros, a institucionalização do PNJMA deve fortalecer as
políticas e ações municipais e estaduais nessa área e estimular que as redes e coletivos
pelo meio ambiente e sustentabilidade possam pautar, discutir e contribuir para o
desenvolvimento das políticas públicas relacionadas a essas temáticas.
O Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente deve dar conta também do desafio
de articular o campo da educação ao mundo do trabalho. A diminuição do emprego com
carteira assinada e o desemprego são fenômenos mundiais que atingem a juventude
brasileira. Entretanto, mesmo diante da dificuldade de inserção dos jovens no mercado de
trabalho, acreditamos que não basta o jovem estar empregado em qualquer emprego. Ele
deve estar bem qualificado para pleitear um trabalho bem remunerado, que lhe dê
condições de uma vida digna. Nesse sentido, reforçamos a necessidade de aumento de
recursos para a educação básica e superior, que vá ao encontro da plena formação dos
jovens brasileiros e articule essa educação às propostas e ações desenvolvidas pelas
redes de economia solidária. Propiciar a formação dos jovens para o mundo do trabalho a
partir de princípios, valores e conteúdos que contemplem a sustentabilidade
socioambiental e a democratização dos meios produtivos é essencial para que a nova
geração tenha condições de garantir trabalho numa perspectiva solidária.
de articular o campo da educação ao mundo do trabalho. A diminuição do emprego com
carteira assinada e o desemprego são fenômenos mundiais que atingem a juventude
brasileira. Entretanto, mesmo diante da dificuldade de inserção dos jovens no mercado de
trabalho, acreditamos que não basta o jovem estar empregado em qualquer emprego. Ele
deve estar bem qualificado para pleitear um trabalho bem remunerado, que lhe dê
condições de uma vida digna. Nesse sentido, reforçamos a necessidade de aumento de
recursos para a educação básica e superior, que vá ao encontro da plena formação dos
jovens brasileiros e articule essa educação às propostas e ações desenvolvidas pelas
redes de economia solidária. Propiciar a formação dos jovens para o mundo do trabalho a
partir de princípios, valores e conteúdos que contemplem a sustentabilidade
socioambiental e a democratização dos meios produtivos é essencial para que a nova
geração tenha condições de garantir trabalho numa perspectiva solidária.
Situação Agrária
Muito nos preocupa a situação agrária brasileira. Em virtude da incorporação do modelo
do agronegócio por todo território nacional, mesmo com suas terras férteis e produtivas, o
Brasil se transformou no maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Entre os tantos
malefícios trazidos pelo agronegócio para os trabalhadores e para a terra, podemos citar:
do agronegócio por todo território nacional, mesmo com suas terras férteis e produtivas, o
Brasil se transformou no maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Entre os tantos
malefícios trazidos pelo agronegócio para os trabalhadores e para a terra, podemos citar:
- o aumento do desmatamento e das queimadas;
- a poluição dos lençóis freáticos e de corpos hídricos;
- a perda da biodiversidade, da fertilidade do solo e sua desertificação;
- o uso indiscriminado de agrotóxicos, que envenena o trabalhador e os alimentos que nos
chegam à mesa;
- a freqüente ocorrência de trabalho escravo, exploração e empobrecimento do
trabalhador rural;
- a permanência dos latifúndios, das monoculturas, da concentração de terra e de renda;
- expulsão dos trabalhadores do campo e seu êxodo para as cidades;
- crescimento desordenado das cidades e favelização;
- a internacionalização das terras brasileiras, com a perda de nossa soberania territorial;
- o fortalecimento das empresas multinacionais e o aumento na venda e uso das
sementes transgênicas;
- o enfraquecimento da agricultura familiar e orgânica, com danos a soberania alimentar
dos brasileiros.
- a poluição dos lençóis freáticos e de corpos hídricos;
- a perda da biodiversidade, da fertilidade do solo e sua desertificação;
- o uso indiscriminado de agrotóxicos, que envenena o trabalhador e os alimentos que nos
chegam à mesa;
- a freqüente ocorrência de trabalho escravo, exploração e empobrecimento do
trabalhador rural;
- a permanência dos latifúndios, das monoculturas, da concentração de terra e de renda;
- expulsão dos trabalhadores do campo e seu êxodo para as cidades;
- crescimento desordenado das cidades e favelização;
- a internacionalização das terras brasileiras, com a perda de nossa soberania territorial;
- o fortalecimento das empresas multinacionais e o aumento na venda e uso das
sementes transgênicas;
- o enfraquecimento da agricultura familiar e orgânica, com danos a soberania alimentar
dos brasileiros.
A REJUMA acredita que é preciso aprovar a lei que modifica a Lei de Biossegurança,
estabelecendo a obrigatoriedade de colocação de informações nos rótulos e embalagens
de alimento de modo a informar ao consumidor a natureza transgênica dos alimentos,
contribuindo para soberania alimentar do nosso país.
estabelecendo a obrigatoriedade de colocação de informações nos rótulos e embalagens
de alimento de modo a informar ao consumidor a natureza transgênica dos alimentos,
contribuindo para soberania alimentar do nosso país.
Percebemos que no início do Século XXI o Brasil retorna seu passado de país exportador
de bens de baixo valor e engana a si mesmo quando afirma que está produzindo energias
limpas e renováveis a partir da cana de açúcar e de outros biocombustíveis. Afinal, que
energia limpa ou renovável é essa produzida através de tão forte degradação ambiental
de sua terra e exploração social de sua gente?
de bens de baixo valor e engana a si mesmo quando afirma que está produzindo energias
limpas e renováveis a partir da cana de açúcar e de outros biocombustíveis. Afinal, que
energia limpa ou renovável é essa produzida através de tão forte degradação ambiental
de sua terra e exploração social de sua gente?
Conclusão
Concluímos que esse sistema que explora a natureza é o mesmo que explora os seres
humanos. Degradação ambiental e exploração social são consequências de um modelo
de desenvolvimento que coloca o interesse do capital acima do interesse da vida, das
pessoas, da natureza. É responsabilidade do Estado brasileiro e dos cidadãos
comprometidos com o bem da humanidade e de todos os seres vivos lutar pela superação
desse sistema.
humanos. Degradação ambiental e exploração social são consequências de um modelo
de desenvolvimento que coloca o interesse do capital acima do interesse da vida, das
pessoas, da natureza. É responsabilidade do Estado brasileiro e dos cidadãos
comprometidos com o bem da humanidade e de todos os seres vivos lutar pela superação
desse sistema.
sábado, 28 de agosto de 2010
Laranjeiras - SE: um Belo Vídeo da "Cidade Irmã" de São Cristóvão
Hoje pela manhã recebi um e-mail com o link de um vídeo muito interessante sobre Laranjeiras, importante cidade sergipana, surgida a partir do século XVII e que atingiu o seu apogeu sociocultural e econômico no século XIX, através da cana-de-açúcar e de intelectuais e artistas como João Ribeiro, Horácio Hora e outros.
A mensagem com o link foi de um amigo meu, que conheci quando atuei como Guia de Turismo em Laranjeiras, entre 2007 e 2008. Esse amigo é Lucas Passos, servidor municipal lotado na Secretaria de Cultura e Turismo de Laranjeiras, licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e grande estudioso e admirador da histórica cidade. Clique no link abaixo para acessar o vídeo "Laranjeiras... O Curso da Vida" pelo You Tube, segue também ficha técnica.
http://www.youtube.com/watch?v=8wJ7oVsWWa0
Produção: RHPC 6 minutos original em 35mm
Ano: 1979
Cidade: Larajeiras / Sergipe
Companhia(s) produtora(s): Roland Henze Produções
Direção: Henze, Roland
Montagem: Henze, Roland
Lucas Passos tem blog com alguns textos (foto: desconhecido).
Vale a pena ver o vídeo, e mais ainda visitar a cidade. O vídeo, de 1979, impressiona com o contraste entre a realidade daquela época, com a maioria dos monumentos em estado de abandono e a expectativa com um futuro melhor, de desenvolvimento e da valorização cultural através de atividades como o turismo. Hoje, parte desse sonho laranjeirense é realidade, com grande parte de suas igrejas reconstruídas, como a do Bom Jesus, Sr. do Bomfim, Retiro, Comandaroba e o quateirão dos trapiches. A visitação não é tão massificada, mas as agências de turismo fazem pacotes e enviam os seus clientes turistas à cidade.
Quarteirão dos Trapiches, no vídeo (imagem: Roland Henze, 1979).
Quanteirão dos Trapiches, atual Campi da Cultura da UFS (foto: desconhecido).
Embora haja uma certa rivalidade entre moradores das duas cidades, pelo que sei até que saudável, que não passa de brincadeiras, influenciada por um período em que São Cristóvão era centro político, enquanto Laranjeiras era o centro econômico mais importante de Sergipe, pouco antes do surgimento de Aracaju, em 1855, reconheço e aprecio muito a cidade de Laranjeiras e as ótimas amizades que fiz no período em que passei por lá. Dedico esta postagem a estes amigos e amigas tão ligados a Laranjeiras.
Cleverton Silva
Assinar:
Comentários (Atom)












